sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Meu querido poeta...


Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
Carlos Drummond de Andrade

Ostras e Astros

Ostras e Astros

Vidas abertas, vidas fechadas
Vidas expostas, vidas camufladas
Vidas que passam, vidas que ficam
Vidas que mentem, vidas verdadeiras.
Ostras, astros
Preciosos, misteriosos
Escondidos, foragidos
Olhares de ostras
Falas de astros
As vogais só mudam de lugar
E alma fica
Alma de ostras astros
Ou de astros outras
Almas transparentes
Almas decifradas somente por almas aparentes
Almas de ostras. Almas de astros.
Ah, se as ostras se abrissem!
Ah, se os astros ficassem!
Teriam todo mar, teriam todo céu...
Quem sabe um dia?
Quem sabe esse dia já passou?
Quem sabe?
Quem?
SANTOS, Adriana F. dos. Poesias da Drica, Crônicas da Chica.
Rio de Janeiro, 2002